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Marco para a Farmácia Clínica no Piauí: consultório farmacêutico integrativo celebra um ano de atuação

12 de agosto de 2026

A Farmácia Clínica ganha cada vez mais espaço no cuidado integral à saúde no Piauí. Um exemplo dessa expansão é a trajetória da farmacêutica Dra. Danielle Coelho, farmacêutica clínica integrativa e integrante da Comissão de Ozonioterapia e Práticas Integrativas à Saúde do Conselho Regional de Farmácia do Piauí (CRF-PI), que está à frente da Equilíbrio Integrativo, o primeiro Consultório Farmacêutico Integrativo do Piauí. O espaço, localizado em Teresina, completa um ano de atuação em agosto de 2026.

Em visita ao CRF-PI, Dra. Danielle compartilhou sua experiência na construção do consultório e destacou a importância da qualificação profissional para a ampliação das possibilidades de atuação do farmacêutico. A profissional, que possui habilitação em ozonioterapia obtida por meio de curso promovido pelo Conselho, também ressaltou como a formação continuada tem sido fundamental para sua prática clínica.

“Eu era farmacêutica clínica de plantão, em hospitais, ambiente que tinha uma rotina fixa e que não me permitia ter contato com o paciente. Era maçante e eu não gostava. Hoje eu tenho contato direto com o paciente e atendo casos muito diversos, o que muda sempre a rotina e me faz estar em constante atualização. Estou sempre estudando”, relatou.

Consulta farmacêutica é o ponto de partida

Na Equilíbrio Integrativo, a consulta farmacêutica ocupa posição central no atendimento. Segundo Dra. Danielle, o objetivo é compreender o paciente de forma individualizada antes de definir quais condutas e serviços são adequados para cada caso.

“A consulta é o carro-chefe do consultório. É nela que vou avaliar todo o quadro do paciente e analisar as necessidades. Não temos um ‘cardápio’ de serviços. Tudo vai ser feito com base na consulta e nas especificidades de cada paciente”, explica.

A proposta, segundo a farmacêutica, está relacionada principalmente à prevenção, ao acompanhamento e à identificação de desequilíbrios que possam interferir na saúde e na qualidade de vida: “A gente trabalha diagnosticando os desequilíbrios do corpo. Se alguém que toma muitas medicações chega até nós, a gente consegue desinflamar, melhorar o terreno biológico da pessoa e mostrar resultado com suplementação. A gente atende tanto quem está doente como também quem quer ter performance, por exemplo, em atividades físicas”.

Entre os serviços disponibilizados pelo consultório estão a consulta farmacêutica, suplementação com injetáveis, ozonioterapia e terapias integrativas. A definição das intervenções, entretanto, ocorre de acordo com a avaliação individual de cada paciente e dentro das atribuições e competências profissionais previstas na legislação.

Resoluções do CFF fortaleceram atuação clínica

A expansão dos consultórios farmacêuticos está relacionada a um processo de consolidação da atuação clínica do farmacêutico no Brasil. Em 2013, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicou as Resoluções nº 585 e nº 586, consideradas marcos para a profissão por regulamentarem, respectivamente, as atribuições clínicas e a prescrição farmacêutica.

A Resolução nº 585/2013 estabelece as atribuições clínicas do farmacêutico e respalda atividades como a consulta farmacêutica, o acompanhamento farmacoterapêutico, a avaliação de resultados da farmacoterapia e a solicitação de exames laboratoriais necessários ao acompanhamento do paciente, dentro das competências profissionais.

Já a Resolução nº 586/2013 regulamenta a prescrição farmacêutica. A norma prevê que o farmacêutico legalmente habilitado pode prescrever medicamentos e outros produtos em situações específicas, observando os limites estabelecidos pela legislação. Para medicamentos cuja dispensação exige prescrição médica, a atuação é condicionada às situações previstas na própria resolução, como a existência de diagnóstico prévio e protocolos, diretrizes, normas técnicas ou acordos de colaboração aplicáveis.

É nesse contexto que se insere a atuação desenvolvida no consultório. “Muita gente não sabe, mas o farmacêutico pode prescrever alguns tipos de medicamentos, como também solicitar exames, não para diagnóstico, mas, sim, para rastrear o que está desequilibrado”, explica a Dra. Danielle.

A farmacêutica também reforça que a atuação clínica não tem como objetivo substituir outros profissionais de saúde, mas integrar o cuidado: “A gente trabalha em paralelo ao acompanhamento de outros profissionais, como os médicos. A gente não atrapalha outros tratamentos. Muitas vezes, somos vistos como se tivéssemos roubando o lugar de outro profissional. Mas não faço reposição hormonal nem prescrevo coisas que eu não posso, por exemplo. É um trabalho complementar”, destacou.

Consultórios farmacêuticos têm regulamentação própria

Além das normas que regulamentaram as atribuições clínicas e a prescrição, o CFF publicou, em 2022, a Resolução nº 720, que estabelece requisitos para o registro de clínicas e consultórios farmacêuticos nos Conselhos Regionais de Farmácia. A norma define o consultório farmacêutico como o local em que o farmacêutico promove a assistência farmacêutica e demais atividades privativas e afins da profissão, podendo funcionar de forma autônoma ou nas dependências de outros estabelecimentos de saúde.

Outro marco é a Resolução nº 572/2013, que regulamenta as especialidades farmacêuticas por linhas de atuação e inclui, entre elas, a Farmácia Hospitalar e Clínica e as Práticas Integrativas e Complementares.

No campo das práticas integrativas, o farmacêutico pode atuar nas especialidades e práticas reconhecidas e regulamentadas pelo CFF, observados os requisitos de formação e habilitação correspondentes. Entre as áreas regulamentadas estão a fitoterapia, homeopatia, medicina tradicional chinesa/acupuntura, antroposofia, floralterapia e ozonioterapia, entre outras.

 

FONTE: Comunicação CRF-PI

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